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segunda-feira, 7 de maio de 2012

CARTA DA COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS

Excelentíssimo Senhor
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> > Doutor José Eduardo Cardoso Ministro
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> > Digníssimo Ministro da Justiça
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> > Senhor Ministro,
>< br />> > A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos da Ditadura Militar foi tomada de triste surpresa com a notícia que saiu nos jornais da grande imprensa de que um dos possíveis integrantes do aparato repressivo, Sr. Cláudio Guerra, segundo sua própria confissão, foi responsável pela morte e desaparecimento dos corpos de, pelo menos, 12 presos políticos, além de lideres camponeses e vitimas de grupos de extermínio.
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> > Alguns, por volta de dez, foram incinerados num forno de uma Usina na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro, o que até nos faz lembrar o holocausto ocorrido na 2ª. guerra mundial, no qual os nazistas mandavam para os fornos, para morrerem incinerados, milhões de pessoas por serem judeus, comunistas, ciganos, entre outros.
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> > A noticia estarrecedora vem acompanhada de nomes já conhecidos da repressão política, como o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do D OI-CODI do 2º. Exército) e outros mais. Até a morte de um dos mais terríveis torturadores do país, Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS de São Paulo foi um assassinato tramado nos bastidores da Comunidade de Informações coordenado por aquele Coronel e realizado pelos integrantes do CENIMAR (Centro de Informações da Marinha), segundo as denúncias deste senhor Claudio Guerra.
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> > Mais uma vez os familiares de desaparecidos são atingidos e enxovalhados por informações de um policial sobre seus parentes, cujos restos mortais jamais lhes foram entregues, o que lhes faz sofrer ainda mais. Sempre que se fala dos nomes de seus parentes desaparecidos com relatos sobre como teria sido o seu fim, os familiares transbordam sua dor e lamentam não terem informações oficiais e concretas.
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> > O descaso das autoridades machuca ainda mais as feridas abertas que sangram até o presente momento. Serão verdadeiras as informações? Fica, mais uma vez, a pergunta sem resposta. A dúvida persegue os familiares que não obtiveram a resposta definitiva e contundente do estado brasileiro até os dias de hoje. E perguntamos: até quando iremos conviver com essa dúvida, com a falta de esclarecimentos sobre o fim de cada um dos desaparecidos políticos? Até quando o estado brasileiro vai nos negar o direito à verdade e à justiça?
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