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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Considerações sobre o Turismo Médico


APARECIDA ISABEL BRESSAN é mestre em Políticas Públicas de Saúde pela Ensp/Fiocruz. Atualmente atua como especialista em Regulação de Saúde Suplmentar na Agência Nacional de Saúde Suplementar e diretora executiva do Cebes – CEBES


Nos dias 29 e 30 de agosto de 2011, acontecerá, em São Paulo, a segunda edição do Medical Travel Meeting Brazil, com a participação de hospitais, laboratórios, indústria farmacêutica, indústria odontológica,  investidores da área da saúde, entidades de classe e associações médicas e odontológicas. O evento destina-se a atrair cada vez mais pacientes de diversos países aos hospitais e clínicas privados brasileiros. Para isso terá como convidados: operadoras de saúde internacionais, empresas corporativas de autogestão mídia, e consulados.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participará da abertura oficial do evento, juntamente com o Secretário Municipal de Saúde de São Paulo, Januário Montone. Serão apresentados os avanços da medicina brasileira para líderes internacionais que fomentam o turismo médico para países estratégicos. Haverá a apresentação de um projeto de lei proposto elaborado em conjunto entre o Ministério da Saúde e do Turismo que cria um visto de entrada no país específico para esse fim. O Projeto de Lei n° 5.655/2009 prevê um visto que poderá ser excepcionalmente concedido, em caráter temporário, por até um ano, ouvido o Ministério da Saúde, extensivo a um acompanhante, admitindo-se a prorrogação enquanto durar o tratamento. A concessão do visto será exclusiva para tratamento de caráter privado, sendo vedada a utilização de recursos do Sistema Único de Saúde.
Segundo os organizadores do Medical Travel Meeting Brazil – 2011 o turismo médico deverá crescer cerca de 35% no Brasil no próximos cinco anos. São citados números do Ministério do Turismo, segundo os quais 180 mil estrangeiros teriam vindo ao país com essa finalidade nos últimos três anos.
O turismo médico tem crescido no cenário internacional, direcionando pacientes dos países mais ricos para os países emergentes, motivado especialmente pelos menores custos de procedimentos. Uma cirurgia cardíaca que custaria 300 mil dólares nos Estados Unidos sairia por 90 mil dólares no Brasil. Outros fatores que têm influenciado esses fluxos são o grande contingente de pessoas sem seguro saúde nos Estados Unidos e as filas de espera para realização de procedimentos eletivos em países onde o sistema público é predominante como Reino Unido e Canadá.