Mostrando postagens com marcador Saúde Pública. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde Pública. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Fórum discute Ato Médico


A APSP e Fórum de Conselhos Profissionais da Área da Saúde do Estado de São Paulo (FCAFS) promovem, em agosto, fórum que discutirá os impactos do Ato Médico para a saúde pública.
O evento acontece no dia 24 de agosto, sexta-feira, de 9h ao meio-dia, no anfiteatro Paula Souza da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).
Participe!

quarta-feira, 7 de março de 2012

CF-2012: Secretário da CNBB destaca avanços e desafios à saúde pública no país .


LancamentoCf2012Foi aberta, na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, a 49ª Campanha da Fraternidade (CF), cujo tema é “Fraternidade e Saúde Pública”, com o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. A solenidade de abertura, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), foi dirigida pelo secretário geral da entidade, dom Leonardo Steiner, e contou com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha; do secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, além de outros convidados.
“A Campanha da Fraternidade é um tempo especial para a conversão do coração, através da prática da oração, do jejum e da esmola, como processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição”, disse dom Leonardo.
Em seu discurso, o secretário geral da CNBB disse que houve “significativos avanços” nas últimas décadas da saúde pública no país, como o aumento da expectativa de vida da população, a drástica redução da mortalidade infantil, a erradicação de algumas doenças infecto-parasitárias e a eficácia da vacinação e do tratamento da Aids, elogiada internacionalmente.
domleonardocf2012Dom Leonardo também levantou pontos que ainda não são completamente sanados pelo Governo em relação à saúde. “Com a Campanha da Fraternidade de 2012, a Igreja deseja sensibilizar a todos sobre uma das feridas sociais mais agudas de nosso país: a dura realidade dos filhos e filhas de Deus que enfrentam as longas filas para o atendimento à saúde, a demorada espera para a realização de exames, a falta de vagas nos hospitais públicos e a falta de medicamentos. Sem deixar de mencionar a situação em que se encontra a saúde indígena, dos quilombolas e da população que vive nas regiões mais afastadas”, destacou dom Leonardo.

O bispo auxiliar de Brasília ressaltou não ser exagero dizer que a saúde pública no país “não vai bem”. “Os problemas verificados na área da saúde são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, hoje globalizada, que não tem, muitas vezes, como horizonte os valores ético-morais e sociais”.

Sobre o corte de cinco bilhões de reais da área da saúde, dom Leonardo destacou que esta decisão do governo preocupa e frustra “a expectativa da população por maior destinação de recurso à saúde” após a discussão da Emenda Constitucional 29.

terça-feira, 6 de março de 2012

Arcebispo de São Paulo critica as Organizações Sociais, modelo usado na terceirização da saúde em SP

Fonte: Folha de São Paulo


Ah! Quanta espera, desde as frias madrugadas, pelo remédio para aliviar a dor! Este é teu povo, em longas filas nas calçadas, a mendigar pela saúde, meu Senhor!”
O trecho acima faz parte do hino da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo mote central é a saúde pública.
É a segunda vez que a Igreja Católica elege o tema -a primeira foi em 1984.
“A saúde vai muito mal do Brasil”, afirma o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer. O cardeal também critica as OS (Organizações Sociais) em São Paulo.
“Na medida em que se terceiriza os serviços de saúde, vira comércio, eles acabam sendo submetidos às leis de mercado”, afirma.
O arcebispo de São Paulo também comentou a notícia do nascimento de uma criança com a finalidade de doar células-tronco para a irmã que sofre de uma doença hematológica. “Não podemos aplicar de maneira irrestrita todas as possibilidades do conhecimento científico.”
A seguir, trechos da entrevista exclusiva concedida à Folha na semana passada, no Mosteiro de São Bento.
-
Folha – A saúde é pela segunda vez tema da Campanha da Fraternidade. Agora, há cânticos bem críticos em relação à saúde pública. A situação piorou?
Odilo Pedro Sherer – A primeira vez que abordamos o tema foi mais focado no doente. Agora, o olhar está voltado para o acesso aos serviços, para as políticas em saúde pública, os atendimentos médicos e hospitalares, a falta de acesso a medicamentos. A situação está muito séria na adequação do SUS. Os pobres, que não têm possibilidade de ter plano de saúde, dependem de um sistema de saúde deficitário, que está longe de atender os requisitos básicos. A saúde vai muito mal no Brasil.
Anteontem, o Ministério da Saúde divulgou um relatório de avaliação do SUS em que a nota média ficou em 5,4…
É, foi muito mal avaliado. Não basta que poucos tenham condições de ter acesso a ótimos hospitais. É uma questão de fraternidade, solidariedade, levantar a questão, reclamar, mostrar a situação real nos grotões do país, nas periferias das grandes cidades. E não é só isso. A saúde pública vive um processo de terceirização, de comercialização.
O sr. se refere às Organizações Sociais em São Paulo?
Sim. Na medida em que se terceiriza os serviços de saúde, vira comércio, eles acabam sendo submetidos às leis de mercado. Isso pode comprometer o atendimento dos pacientes. Saúde é um bem público, um direito básico, fundamental. Impostos são recolhidos para esse fim.
A Igreja não poderia ser mais atuante na promoção de saúde, fazendo campanhas de prevenção a diabetes, hipertensão durante as missas, por exemplo?
Já fazemos isso constantemente nas pastorais da saúde, da criança. Trabalhamos arduamente não só para atender os doentes mas também para promover saúde.
Recentemente, foi noticiado o nascimento de uma criança gerada com a finalidade de doar células-tronco para a irmã que sofre de uma doença hematológica. Como a Igreja vê isso?
Nem tudo que é possível em ciência é bom eticamente. Não podemos aplicar de maneira irrestrita todas as possibilidades do conhecimento científico. Não podemos produzir bebês com a finalidade “para”. O ser humano nunca pode ser usado como meio para atingir fins. Ele, por si só, já é o fim.
Mas mesmo que o objetivo tenha sido para salvar uma outra vida?

O ser humano agora pode ser um embrião, um feto, um bebê. Nessa fase posso fazer o que for do meu agrado para atingir meus objetivos. Mas depois ele se torna uma pessoa adulta. Como ele vai avaliar a minha ação? Eu fui usado, eu fui manipulado em função de, me usaram para. Está faltando dignidade para o ser humano, que é único.


Carta ao Leitor
Folha de São Paulo – 06/03/2012
Saúde
“Ao criticar a terceirização e a comercialização da saúde pública no Brasil, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, não se referia especificamente às Organizações Sociais (OSs) que atuam na cidade de São Paulo, mas à situação do atendimento à saúde no Brasil, de maneira geral (“Terceirização submete saúde pública ao mercado”, “Entrevista da 2ª”, ontem).
A incapacidade do SUS de atender às demandas da população obriga os cidadãos a recorrer a planos privados. Esses planos, porém, por serem geralmente caros, estão fora do alcance dos pobres, que acabam privados dos benefícios essenciais à sua saúde. Mas são bem-vindas as parcerias do Estado com OSs idôneas para que haja um atendimento melhor à saúde da população”.
Rafael Alberto, secretário de comunicação da Arquidiocese de São Paulo (São Paulo, SP)

01 - Hino CF 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

De 0 a 10, índice do governo dá nota 5,4 à saúde pública no Brasil

Só 1,9% vivem em cidades com nota acima de 7,0, meta a ser alcançada.
Índice de Desempenho do SUS foi lançado nesta quinta pelo ministério.

Tai Nalon
Do G1, em Brasília



Índice elaborado pelo governo revela que somente 1,9% da população brasileira vive em municípios cujos serviços públicos de saúde têm notas que alcançam a meta estipulada peloMinistério da Saúde. São, no total, 3,6 milhões de pessoas residentes nas 347 cidades com nota acima de 7,0 no Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), lançado nesta quinta (1) pelo ministério.

Trata-se de uma parcela menor que a dos 5,7 milhões de brasileiros que vivem nas 132 cidades com os piores serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), isto é, com notas inferiores a 3,9. A média nacional resultante do índice é 5,4.
saiba mais
Rio é capital com pior avaliação do atendimento do SUS, diz governo
Pacientes do SUS relatam problemas mesmo em cidades bem avaliadas
Serviço público de saúde é ruim ou péssimo para 61%, diz pesquisa
População está certa ao avaliar saúde pública como ruim, diz ministro
Maior corte no orçamento, de R$ 5,4 bilhões, foi no Ministério da Saúde

"O país passou raspando, na nossa avaliação", disse Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS.

Segundo o Ministério da Saúde, o índice, que será atualizado a cada três anos, pretende avaliar o desempenho dos serviços oferecidos pelo SUS nos municípios.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o lançamento do novo índice como parte de uma "obsessão" do governo em avaliar seus serviços e atribuiu à presidente Dilma Rousseff essa cobrança. "O SUS não pode forma alguma temer o processo de avaliação. [...] Muito pelo contrário: tem que ser algo visto como fundamental para que a gente dê conta de avançar no SUS", declarou.

Com pontuação que vai de 0 a 10, as aferições levaram em conta dados sobre saúde básica, ambulatorial, hospitalar e de emergência repassados pelos municípios a bases de dados nacionais (IBGE, Ipea, entre outros) entre 2008 e 2010 (veja aqui a lista dos indicadores que integram o índice).

Ao gerar a nota, o ministério leva em conta o acesso aos serviços do SUS e se esses serviços são prestados em sua totalidade. Esses critérios, ponderados, resultam na nota final.


A maior parte da população (46,5%, ou 88.673.765), segundo os dados da Saúde, vive em municípios com índices de 5 a 5,9 - notas consideradas regulares; 24,5% dos brasileiros, ou 46,6 milhões vivem em localidades com notas entre 6 e 6,9; e 45,9 milhões (24,1%) estão em localidades cuja nota está entre 4 e 4,9.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CNI Ibope: Retratos da sociedade brasileira: Saúde Pública




A Pesquisa CNI-IBOPE avalia trimestralmente a opinião pública no que diz respeito à administração federal e a temas de interesse da sociedade. Na série Retratos da Sociedade Brasileira o tema da vez é Saúde Pública.
Veja aqui a íntegra da publicação.

SUS: pesquisa mostra insatisfação, paradoxos e impasse político


Brasileiro que usa aprova mas faz avaliação geral negativa sobre Sistema Único de Saúde. Segundo pesquisa, 95% apoiam ampliar gasto público, mas poucos aceitam solução tributária. Maioria defende combater corrupção e desperdício. Com 3,5% do PIB em saúde pública, mesmo sem desvios, Brasil aplica metade de sua inspiração britânica e é 72º no ranking da OMS.

BRASÍLIA – Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12) sobre a opinião popular a respeito da saúde pública mostra algo mais ou menos conhecido. A maioria dos brasileiros acha que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem problemas e faz uma avaliação negativa dele, embora quem o use tenha mais simpatia. Mas o levantamento tem dados que expõem o tamanho do desafio político que é fazer do SUS aquilo que a Constituição planejou em qualidade e eficiência. 

Apesar de desaprovar o sistema, a imensa maioria rejeita criar novas fontes de financiamento e até mesmo tirar dinheiro que já existe no orçamento público e está colocado em outras áreas, para direcioná-lo à saúde. Na opinião pública brasileira, há uma consolidada certeza de que combater a corrupção e o desperdício melhora o SUS.

A pesquisa foi feita pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em setembro do ano passado, quando a votação, no Congresso, de projeto sobre gasto público em saúde trouxera de volta o debate sobre a criação ou não de novas fontes de recursos para o setor.

Pelo levantamento, 95% dos brasileiros acreditam que é importante e necessário destinar mais recursos à saúde. Ao perguntar o que os governos deveriam fazer para investir mais, a pesquisa deu cinco alternativas, das quais se podia escolher duas, daí que a soma das respostas não dá 100%. “Acabar com a corrupção” recebeu 82% de opções. “Reduzir desperdícios”, 53%. “Transferir recursos de outras áreas”, 18%. “Aumentar os impostos”, 4%. “Outras medidas”, 1%.

“É consenso na sociedade que os governos precisam investir mais. O debate é onde conseguir os recursos”, disse o gerente de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca.

O combate a corrupção e desperdícios é a opção preferida dos entrevistados e certamente é capaz de produzir resultados, mas comparado com outros países, o orçamento da saúde pública no Brasil é, em si mesmo, menor. Segundo o ministério da Saúde, o Estado brasileiro gasta por ano algo entre 3,5% e 4% do total das riquezas produzidas no país (PIB). 

Mesmo que nada fosse desviado por corrupção ou desperdício, e todos os 3,5% fossem aplicados, ainda assim, é, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a metade do gasto público em saúde do Reino Unido (7% do PIB), cujo modelo de atendimento gratuito e aberto a todos inspirou o SUS. Na Noruega e Suécia, que também tem sistemas similares, investe-se cerca de 6% do PIB.

A tradução dos 3,5% do PIB em despesa por habitante, conta que também independe de desvios entre o que está separado no orçamento e o que chega até um hospital, coloca o Brasil na posição 72 do ranking da OMS de despesa pública per capita.

Dados da pesquisa sugerem que há um certo descolamento entre realidade e imaginário, no caso do SUS, que reforça a sensação de desafio político. Para 61%, o serviço de saúde pública no Brasil é ruim ou péssimo. Quando se pergunta como é no município da pessoa, a reprovação cai a 54%. E quando se ouviu quem usou o SUS nos últimos 12 meses, descobriram-se 48% de bom e ótimo.

Para Renato da Fonseca, são duas as explicações para o paradoxo. Uma é que a opinião mais geral muitas vezes é formulada não só a partir da experiência individual da pessoa, mas também com base nas histórias que ela ouve de amigos, vizinhos e parentes. A outra está na mídia, cujo noticiário se concentra em – e amplifica - histórias a respeito de problemas da rede pública.

“A conclusão é que a sociedade está insatisfeita com a dificuldade de atendimento, com a falta de recursos materiais e humanos. Mas a situação da saúde não é simples”, disse Fonseca.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Formação em Saúde Pública: perspectivas e participação


Fonte: ENSP, publicada em 23/11/2011
Tatiane Vargas


Para debater a formação em Saúde Pública e as perspectivas para o campo, a ENSP recebeu seus docentes e discentes e de outras instituições no 1° Encontro dos Pós-Graduandos da ENSP/Fiocruz, na segunda-feira (21/11). O evento discutiu, entre outros assuntos, a atual situação dos programas de pós-graduação da Escola e promoveu um debate entre os estudantes sobre o papel do profissional de saúde. O diretor da ENSP, Antônio Ivo de Carvalho, que participou da mesa de abertura, destacou que esse tipo atividade reúne todos os fatores para se tornar uma tradição na Escola. "A iniciativa é muito bem-vinda, e esperamos que ela se torne institucional", afirmou o diretor. Na ocasião, foi criado o Fórum dos Pós-Graduandos da ENSP, como um espaço transdisciplinar de integração, diálogo e ação permanente.



Após a solenidade de abertura, que contou ainda com a presença da vice-diretora de Pós-Graduação da ENSP, Maria Helena Mendonça, e do doutorando em Epidemiologia em Saúde Pública e membro da comissão organizadora do evento, David Soeiro, teve início a roda de debates O SUS para além do SUS: por uma outra concepção de educação para a saúde. A atividade, realizada no formato de dinâmica participativa, quando todos os participantes puderam se pronunciar, teve a participação do professor da ENSP Carlos Otávio Fiúza Moreira, da professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Lígia Bahia, do professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Túlio Franco e da ex-mestranda da ENSP Nidilaine Dias. A roda de debates foi mediada pela doutoranda em Saúde Pública da ENSP Juliana Kabad - também membro da comissão organizadora do 1° Encontro dos Pós-Graduandos da ENSP/Fiocruz.


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

SP: funcionários pintam muro de hospital

O mutirão apagou o muro que havia sido pichado com frases de preconceito


Fonte: Band


Funcionários do hospital estadual Emílio Ribas fizeram um mutirão e pintaram o muro - que havia sido pichado com suástica e frases de preconceito - na manhã desta quinta-feira. O hospital, referência em infectologia, está localizado na zona oeste de São Paulo.

O diretor do hospital, médico infectologista David Uip, participou da ação.“O Emílio Ribas é um patrimônio da saúde pública paulista e brasileira. A ação de vandalismo foi lamentável, repugnante e vergonhosa”, disse Uip.

pichação-nazista-700x525-20111111
Foto: Agência Estado
Pintura do muro pichado do hospital estadual Emílio Ribas / Divulgação/ Secretaria da Saúde
Foto: SES/SP

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O que está em jogo na Saúde

Ligia Bahia
Fonte: O Globo



Saúde pública é uma expressão ambivalente. Refere-se à noção de medidas de saúde da população e ao conjunto de instituições que atuam para prevenir, reduzir, controlar e eliminar riscos, ofertando cuidados e ações assistenciais. Sem a intervenção local, nacional e internacional da saúde pública nos dois últimos séculos, sem o financiamento crescente aos gastos setoriais baseados em impostos que, entre outras atividades, mantêm conectados sistemas de registro e estatísticas populacionais com a atenção aos indivíduos, não seria possível agir sobre o que se aprende. Portanto, a saúde pública e suas inovadoras estruturas burocráticas, que unem a compreensão dos problemas de saúde às ações para reduzi-los, são movidas por atos de decisão política.


O surgimento da saúde pública como área cientifica foi marcado por intensas discussões teóricas e pragmáticas. A principal contradição refere-se à origem natural ou social das doenças. As ideias de que os problemas de saúde situam-se exclusivamente no reino da natureza biológica ou orbitam apenas na esfera das relações entre renda e consumo não são inéditas no mundo e no Brasil. Seus adeptos tendem a se contrapor aos sistemas públicos de saúde.


Nos anos 20, os sanitaristas brasileiros obtiveram sucesso ao afirmarem a saúde como variável determinante para o desenvolvimento. Jeca Tatu, personagem de Monteiro Lobato curado de sua doença, parou de beber, passou a andar calçado e se transformou num trabalhador exemplar. O autor engajado nas campanhas de saneamento de então, declarou: "Só a alta crescente do índice de saúde coletiva trará a solução do problema econômico." Posteriormente, a saúde pública foi escanteada. Durante a era do "crescer para depois distribuir o bolo", o vertiginoso crescimento de um sistema essencialmente privado de medicina previdenciária financiado com recursos públicos desidratou o Ministério da Saúde. Só nos anos 80, o acréscimo do S de social ao então BNDE anunciou o esgotamento do padrão de crescimento econômico autoritário e desigual. Logo depois, o elevado teor de saúde pública no capitulo da ordem social da Constituição de 1988 levou o Brasil ao pódio dos países dotados de sistemas universais.


Contudo, vários dos preceitos constitucionais referentes à saúde foram proscritos na prática. Sucessivos governantes, ansiosos por conduzir o Brasil ao primeiro mundo, juraram obedecer às leis do país e asfixiaram a saúde pública. Apesar do subfinanciamento crônico do SUS, se deu nó em pingo d'água. Considerando que vivemos em um país que desde 1989 não aporta os recursos previstos ao SUS e desde 2004 investe mais recursos com o pagamento do pessoal do Ministério da Fazenda do que com o da pasta da Saúde, falta muito que fazer. No entanto, os resultados dos esforços de muita gente comprometida com a saúde pública são invejados pelo mundo afora. Avançamos no controle de doenças e rompemos com estigmas que só pioravam a saúde. O SUS não é um fracasso apesar da insistente retórica que associa o público com o que não dá certo, com má qualidade. É impossível organizar um sistema de saúde dotado de padrões razoáveis de acesso e qualidade com investimentos de 3,5% do PIB, ou com um gasto per capita anual de menos de R$500. Suas insuficiências, filas, restrições do acesso, heterogeneidade da qualidade dos serviços públicos, despersonalização do atendimento servem de argumento para as alegadas indisposições das classes médias com o SUS e justificam a intensificação de vazamentos fiscais para financiar a privatização. Assim, as restrições orçamentárias impostas ao SUS transformam-se em subsídios para dinamizar o mercado de planos privados. Temos duas políticas estatais de saúde que concorrem entre si. Qual delas será expandida para atender a nova classe média emergente? Para que 90 milhões de pessoas acessem planos privados de saúde os subsídios indiretos são insuficientes. Abrir uma rota falsa de fuga do SUS não atende os pleitos de empresas ávidas por comercializar contratos que caibam no bolso desses potenciais clientes. São Paulo saiu na frente e aprovou uma legislação estadual que admite a oferta de um pedaço das unidades públicas hospitalares (25% dos leitos) para o atendimento de clientes de planos privados na rede SUS, em acomodações diferenciadas. Se a alternativa for a ampliação do SUS, a efetiva universalização não ocorrerá sem a ampliação da rede pública e integração dos estabelecimentos privados em torno de projetos para a melhoria da saúde da população. As apostas sobre a direção das articulações entre o público e o privado estão abertas. O que está em jogo não é mercado versus Estado, e sim o uso dos recursos públicos para o SUS e planos privados. Nos primórdios da saúde pública essa tensão encontraria meios radicais de resolução. Virchow, um dos fundadores da medicina social na Alemanha, criticou Bismarck por usar em excesso o orçamento para o exército. Ofendido, o Chanceler da Prússia o desafiou para um duelo. Conta a história que o sanitarista escolheu as armas. Sabendo que seu opositor era um exímio atirador e esgrimista, propôs substituir as espadas por duas salsichas, uma delas contaminada por bactérias. Não houve a disputa e a saúde publica naquelas plagas se desenvolveu. Aqui, seguimos brigando pelo lugar da saúde pública e destino dos recursos. O sistema público que propicia bem-estar e elevação geral das condições de vida via intervenção nos determinantes sociais da saúde não é terceirizável. A regulamentação da EC29, em sua versão original que assegura mais recursos para o SUS, e a vedação do acesso aos cofres e instalações públicas às empresas de planos de saúde, podem estimular a progressividade tributária e fiscal, bem como gastos sociais mais redistributivos. Em contrapartida, a virulência do rentismo expressa no apoio de organizações privadas às políticas de elevação das taxas de juros gera custos superiores à própria capacidade governamental para aprimorar a qualidade dos gastos, enfrentar déficits e investir na saúde.


LIGIA BAHIA é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Saúde vive processo de americanização"

Temporão diz que as famílias e as empresas assumem cada vez mais o papel do Estado

Denise Menchen
Folha de São Paulo

Recém empossado diretor de um instituto internacional que tem como objetivo buscar soluções para a saúde pública dos 12 países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), o ex-ministro José Gomes Temporão, 59, vê um processo de "americanização" do setor no Brasil.
Para ele, a falta de uma fonte estável de recursos faz com que as famílias e as empresas assumam cada vez mais um papel que deveria ser do Estado.
Atualmente, ele comanda o Isags (Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde), que recebeu investimentos federais de cerca de R$ 1 mi.
 
Folha - Por que criar o Isags? José Gomes Temporão - A saúde vem se tornando cada vez mais importante em termos globais. Cerca de 30% de toda a cooperação que o Brasil faz com outros países é em questões de saúde.

No Isags colocamos a saúde como prioridade na agenda política do continente. Queremos que funcione como catalisador de iniciativas.


No ano passado, a OMS divulgou que doenças tropicais, como a dengue, atingem um bilhão de pessoas no mundo, mas são negligenciadas pela indústria farmacêutica. Como enfrentar isso? O Isags e a Unasul vão fazer um trabalho político para avançar nessa área. Não apenas no caso das doenças ditas negligenciadas, mas também no das doenças que, no momento, são as que mais matam em nossos países.

Vamos entrar na gestão de tecnologias. Um exemplo: há uma necessidade de colocar equipamentos de radioterapia no continente. Por que não fazer uma compra continental reduzindo custos?

A saúde é sempre uma das áreas mais mal avaliadas. Por que é tão difícil elevar a qualidade do SUS? São múltiplos os aspectos. Um é a especificidade da saúde, que não pode esperar. Uma pessoa, em situação de sofrimento, precisa ser acolhida, e nem sempre isso é possível.

O segundo aspecto é financeiro. O sistema de saúde brasileiro sofre de um problema crônico que já dura 15 anos, que é o subfinanciamento, que nos empurra gradualmente para uma espécie de americanização do sistema de saúde e leva à degradação dos serviços.

Por quê? O Brasil gasta aproximadamente 8% do PIB em saúde. Quando se olha a divisão entre gasto público e privado, o público é apenas 38% do total. Quem está financiando a saúde no Brasil são as famílias, principalmente, e as empresas. O gasto per capita das famílias de classe média que têm planos é pelo menos duas vezes e meia maior do que o do SUS.


O que acha da decisão do governo paulista de destinar até 25% das vagas em hospitais públicos para quem tem plano? Sou totalmente contra. Essa medida traz o risco de criar uma dupla porta. Não sou contra as pessoas que têm planos usarem esse serviço. Desde que o SUS seja ressarcido pelo plano.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nordeste brasileiro se destaca no ensino em Saúde Pública

Por Glenda Almeida - glenda.almeida@usp.br
Fonte: Agência USP de Notícias

Pesquisa que investiga o chamado “índice h” destaca o Nordeste no que diz respeito à pesquisa e ensino em Saúde Pública. Segundo os estudos do professor e médico Júlio Pereira e sua aluna de doutorado Bruna Bronhara, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, autores e pesquisadores da Região Nordeste do Brasil apresentam valores de índice h semelhantes aos da Região Sudeste, conhecido por sua tradição no ensino em Saúde Coletiva.
O índice h é famoso no meio científico, comumente utilizado para se fazer juízo sobre a repercussão da produção científica de um pesquisador. O número é o resultado de um cálculo que relaciona a quantidade de artigos que um profissional publicou ao número de vezes que cada trabalho foi citado por outros autores. Como esclarece Pereira, esse valor, que é uma das informações que compõe o currículo vitae de um pesquisador, é uma maneira de perceber quais são os trabalhos e autores que ganham mais atenção de seus possíveis interessados. “Porém, é um número que, como todos os outros, não é absoluto. Para decifrar o que está por trás dele, é necessário relacioná-lo a um contexto e a circunstâncias”. Nesse sentido, tratando-se do Brasil, cuja maioria dos autores não supera o índice h = 5, a Região Nordeste aparece com índices tão bons quanto os da Região Sudeste, como aponta o professor.
O estudo analisou o índice h de 934 professores de programas de pós-graduação em Saúde Pública do País, utilizando o banco de dados da Web of Science. Esses dados foram aplicados a um cálculo, cujo resultado indica a colocação de um pesquisador em ranking com 100 pesquisadores, dentro de uma das regiões brasileiras. Pereira explica: “caso um profissional com índice h = 9 esteja concorrendo com outros 99 pesquisadores, na Região Sudeste ele seria o 8º colocado no ranking”. Porém, o estudo salienta que em cada região do País, ter o índice h = 9 pode ter significados diferentes. “Por exemplo, para estar em primeiro lugar na região Sul, que é a que apresentou o melhor desempenho, é necessário ter um índice h = 24, o que é um valor muito alto, comparado com o 1º lugar das outras regiões”.
De todos os docentes estudados, 29,8% possuem h = 0, ou seja, não tem qualquer registro de citação sobre seus artigos. Segundo o professor, ao analisar esse dado, pode-se supor que possuir um índice h = 5 é um “bom número” para o Brasil, um país cuja média de índice h é 3,1. Na região Sul, o valor esperado para o índice h é 4,7, a maior média entre as regiões. Os índices da Região Centro-Oeste são os menores, com uma média de h = 2.
Nordeste alcança Sudeste
Mas o que desperta a atenção de Pereira é a similaridade entre Nordeste e Sudeste, regiões que ao longo da história se apresentaram distintas e contrastantes no que diz respeito à oportunidade de emprego, miséria, e outros indicadores socioeconômicos. Porém, tratando-se de Saúde Pública, a média de índice h dos professores do Sudeste e Nordeste são muito próximas, equivalentes a 3,6 e 3,3, respectivamente. De acordo com o médico, esse dado mostra que a região Sudeste foi alcançada pelo Nordeste nessa área do conhecimento científico. “O valor de h necessário para um pesquisador estar em 1º lugar no ranking do nordeste é muito parecido ao do sudeste, sendo 17 e 19, nesta ordem”.
Considerando essas informações, já é notório um destaque para o Nordeste, principalmente porque com um total de 200 docentes e 9 programas de pós-graduação em Saúde Coletiva chega bem próximo de superar o Sudeste, com seus 622 docentes e 18 cursos. Segundo o professor, o surpreendente está relacionado à Lei 11.540/2007. De acordo com a Lei, pelo menos 40% dos recursos destinados ao Ministério da Ciência e Tecnologia devem ser aplicados em programas de fomento à pesquisa no Norte e Nordeste do País. “Como no Nordeste já havia instituições que ensinavam mestres e doutores nessa área do conhecimento, com uma capacidade de ‘acolher’ os investimentos, sua resposta ao fomento à pesquisa tem sido significativa”, afirma Pereira. “Essa comparação surpreende as pessoas acostumadas a ouvir que o Nordeste é a terra onde só há miséria e fome”.
A análise do índice h propõe oferecer subsídios à sociedade em geral para um juízo aprimorado deste indicador, entendendo que possuir um h = 3, por exemplo, não pode significar ser bom ou ruim, caso não seja contextualizado. Pereira conclui a pesquisa afirmando que “um único número não pode fornecer mais que uma aproximação grosseira do perfil multifacetado de uma pessoa, apontando ainda que “muitos outros fatores deveriam ser considerados em combinação para avaliar um pesquisador.”

sábado, 2 de abril de 2011

Matéria no Jornal Nacional sobre Saúde Pública


Matéria veiculada no Jornal Nacional de 02 de abril de 2011 destaca a explicação das autoridades para descaso na Saúde Pública no país. No dia 1º de abril, o Globo Repórter tratou do tema.